Alguém dizia que o tempo é a forma que Deus encontrou, para não nos acontecer tudo de uma só vez. Talvez esta seja a melhor definição de tempo que já ouvi, porque sugere, que o tempo, é uma diferença. É um antes, um agora e um depois. E quando estas diferenças se relacionam de alguma forma, temos uma história, ou como os académicos lhe gostam de chamam, uma narrativa.
Uma narrativa é portanto o tempo, todo certinho, como quem conta, 1, 2, 3, 4. Se por acaso, eu não soubesse contar, ou o fizesse de forma absurda, 4, 5, 1, tinha na mesma um tempo, mas sem história. Seria um tempo absurdo.
As narrativas, são usadas principalmente na literatura, ou no cinema, mas os músicos também gostam delas. As sinfonias de Beethoven, com os seus movimentos, são discursos sonoros, narrativas musicais. De certa forma é natural. Os psicólogos, já descobriram há muito tempo, que o cérebro humano, pensa através de histórias, talvez fruto dos serões à volta da fogueira, onde se contaram histórias, durante milénios.
As narrativas não são só vantagens. Não podemos entrar a meio de um filme, ou começar um livro a meio, porque todas as histórias, possuem principio, meio e fim. Todas as narrativas por serem espaços ordenados de tempo, têm de existir dentro dele.
Mas, e se eliminarmos o tempo? Brian Eno, é um músico experimentalista. Imaginou o que seria produzir sons, sem tempo, nem história. Então inventou a música ambiente. A ideia era criar musica que estivesse fora do tempo. Onde o passado, o presente e o futuro se confundem, criando um eterno presente. Entramos num espaço e ouvimos música. A música não é dinâmica, mas possui um padrão que se repete indefinidamente. É uma música estática, como uma escultura sonora.
O “Imagem por dia” sempre foi concebido como um diário, uma narrativa pessoal. Mas cedo percebi, que para quem não me conhece intimamente, essa narrativa, possuía as características de um tempo absurdo, desconexo. Por isso pensei durante um tempo criar uma narrativa mais formal. Os elementos estéticos para a diferenciar do resto, foram uma personagem (Mr Panda), o preto e branco e o francês. Uma história onde a única certeza era o seu fim.
Agora pretendo fazer o oposto. Uma série onde os elementos de tempo se diluem, num eterno presente. Uma escultura estática em imagens, onde o princípio e o fim se diluem. Um grande silêncio branco…
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