Nos últimos meses tenho andado numa verdadeira explosão de heterónimos. Chamo heterónimos aos vários blogs que tenho vindo a criar. Cada um deste blogs tem o seu propósito, e a sua razão de ser, mas ultimamente tenho sentido que a multiplicidade destas facetas criativas, tem uma desvantagem, dilui a minha identidade.
Por isso chego ao seguinte paradoxo: Quero voltar a unificar aquilo que é múltiplo. Como ? Criando mais um blog…
Este blog é assim o autor de todos os outros. O Ortónimo. Pretende ser mais pessoal, mais intimista, mais filosófico, mas também apenas mais um. É o meu livro do desassossego, onde eu me permito divagar, numa metafísica pessoal, completamente às escuras…
Os meus heterónimos (públicos) são quatro:
Tenho esta convicção de que qualquer acto criativo é para ser partilhado, mesmo que seja para ser ignorado. Algo que não é partilhado, morre antes de nascer. As fotos tiradas com o telemóvel, jaziam dentro do disco, inertes. Dava pena ver…
Mas qualquer processo criativo, tem de ter ritmo. É uma corrida de fundo, onde a persistência faz a perfeição. Nada acontece a menos que se dê um passo. A acção acorda a possibilidade, inicia o processo de causa - efeito. O objectivo era uma narrativa pessoal. O compromisso mínimo foi uma imagem por dia…
Sou um escravo do karma. Acções, em cima de acções, para corrigir erros cometidos, por ter sido um erro agir. Sou uma gota de água a lutar dentro de um rio. A tentar permanecer na impermanência. Quando penso que sei o que é “ser”, o camaleão muda de cor. Cada vez que penso que aprendi algo, escrevo. Cada vez escrevo menos, o que significa que cada vez estou menos vivo.
Sempre fui muito crítico das divisões artificiais que o mundo moderno cria, na ânsia de classificar e categorizar a realidade. Positivismo absurdo. Arte e a Ciência, como se fossem duas coisas diferentes, de domínios distintos. Há menos de 500 anos, Leonardo Davinci não pensava assim. Neste blog, uso a ciência como inspiração para criar pequenos objectos artísticos de software livre que podem ser descarregados e modificados por qualquer pessoa.
É mais um jogo do que uma personalidade completa. Sou uma pessoa muito visual. Gosto de fotografia, penso por imagens e há imagens que me inspiram. Uso este blog, para criar padrões e narrativas com imagens descobertas aleatoriamente. Por exemplo, nesta página a Winona Ryder pergunta se já confundimos um sonho com a vida. O Paul McCartney pensa seriamente nisso, e um desconhecido responde aquilo que sobra quando nos damos conta que a vida deixou de ser o sonho…
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